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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Alô? Tem um orelhão aí?

Ligação DDD é sinônimo de uma coisa: matar saudades de quem está longe. Seja um primo, tio, irmão, os pais  ou aquele amigo especial, uma ligação telefônica encurta as barreiras que separam. Até o final deste ano, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) determinou que ligações feitas a distância de um orelhão em todo o Brasil serão gratuitas. Até aí tudo bem. Mas eis a pergunta que me fiz assim que li a notícia: onde encontrar um telefone público em funcionamento em Maceió?
Olhando direitinho pelas ruas da capital  a maioria possui algum defeito. No Centro e na orla até aqueles 'customizados' já foram arrancados ha algum tempo. Os únicos lugares que ainda (ainda) existem orelhões num estado razoável de funcionamento são os dos shoppings e olhe lá.
Fora o problema de se encontrar um telefone, ainda existe o  fato do coitado ter caído em desuso depois do boom da telefonia móvel.
Na última década a evolução dos telefones celulares foi empurrando pro lado os orelhões, que já a algum tempo sofriam com a degradação de muitos engraçadinhos que os usavam. Era telefone cuspido, com chiclete grudado, com cabo arrancado e outras mazelas.
O número de telefones celulares se multiplica a cada dia. As operadoras lançam promoções para chamadas a longa distância que fazem a cabeça dos consumidores e vão deixando só nas lembranças a utilidade dos orelhões.
Como vintage que sou, quando criança adorava depositar as fichinhas e ficar lá esperando minha mãe acabar de telefonar e ouvir o barulhinho da ficha caindo.  Hoje caçaria um telefone só para ter o gosto de ficar 'pendurada' enrolando o cabo no dedo e conversando por horas a fio.
É torcer para que esse projeto de revitalização da telefonia pública apresentado pelas empresas de telefonia dê pé. Mas que dê mais certo ainda a conscientização da população para preservar o patrimônio público, um direito de todos, afinal de contas fazer um DDDe matar saudades, ainda mais de graça, é o que há!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Jornalismo, espetacularização do fato ou as duas coisas?


Para quem acompanha os noticiários da Globo deve ter visto nos últimos dias a notícia de que o Jornal Nacional foi o vencedor do prêmio Emmy, que contempla os melhores  do jornalismo em todo o mundo. A cobertura da ocupação da Polícia Militar ao Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, ganhou na categoria notícia.
Na edição desta quarta-feira (28/09) o jornal foi encerrado de forma diferente da tradicional, com direito a troféu na bancada, um pouco da sensação de William Bonner ao receber o prêmio e, palavras dele, 'dedicação do prêmio à audiência maciça do povo brasileiro ao telejornal'.
Sem deixar de tirar os méritos pela conquista, mas falando mais especificamente da audiência e dos padrões do jornalismo, me volto para a questão título do post: a cobertura foi jornalismo, espetacularização do fato, ou as duas coisas juntas?
Voltando um pouquinho no tempo, exatamente em  1991, relembro da primeira guerra que se pode acompanhar  em 'real time': a Guerra do Golfo. Na época, uma inovação dos padrões jornalísticos, a população começou a acompanhar em tempo real toda a movimentação das tropas americanas em Bagdá. Foi nessa época também que houve a eclosão das  tv's a cabo, que teve início com a CNN. A TV Globo foi uma das primeiras no Brasil a  enviar correspondentes para trazer as informações mais atualizadas. O Jornal Nacional transmitia diariamente flashs da guerra.
Sem ser diferente da cobertura das quedas das torres gêmeas, do sequestro do ônibus 174, da guerra no Iraque, das quedas dos aviões da TAM, GOL e Air France, a tomada do Morro do Alemão tem um tom de guerra ao terror misturado ao longa Tropa de Elite, criando uma atmosfera (minha opnião) apelativa quanto ao tratamento com a notícia.
As palavras de Bonner me fizeram refletir quanto a esse padrão Globo de jornalismo. O gosto da audiência, que a meu ver, eles ditaram, foi 'acostumada' a receber as coberturas nesse tom. Daí pensar em como as coberturas jornalísticas mudaram em tão pouco tempo é pensar também na força que exercem sobre as pessoas, que certos momentos toma um tom novelesco ou nas palavras de José Arbex Jr, um 'Showrnalismo'.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Me Jane! E vc como fala?


Hoje me peguei pensando no quanto somos multi: cultural, social e linguístico. Olhe direitinho para cada estado e o sotaque de seu povo. Uma coisa é dita de forma diferente em cada região do país. Uma mistura que dá todo um tempero e singularidade que é difícil de se ver em outros povos.
O Nordeste em especial tem  variações linguísticas que às vezes beiram um realismo literário. Basta ter um dedinho de prosa com um nordestino para sentir e divagar com as expressões mais variadas possíveis:  desde um 'vôte' de espanto a uma 'mangação' da sua cara.
Nem preciso falar dos célebres escritores que descreveram nosso povo e disseminaram os novos verbetes mundo a fora.
Como vinha escrevendo no começo deste post, eu pensava sobre nossa mistura. Esses pensamentos começaram depois de assistir a uma matéria sobre termos genuinamente nordestinos. Até aí tudo bem, se não fosse a forma de trabalhar com o tema, como se fosse um dialeto impenetrável, que apenas com um tradutor do lado seria possível manter contato com uma pessoa do/no Nordeste.
Curiosamente, ou até já presumindo a justificativa, tenta-se impor um 'sotaque universal' dentro do Brasil, a fim de engolir os regionalismos, que dão a identidade a quem fala. Isso é dentro da comunicação, publicidade ou sociedade como um todo. 
Sou contra por vários motivos, principalmente por querer sufocar a identidade regional e por criar a sensação de que o nordestino (e todos os outros fora do eixo econômico ativo) não sabem falar, que a região parou no tempo e nunca será como o restante. 
Triste é saber que tão pouco se sabe do Brasil e que há inúmeras barreiras a se romper. A primeira delas começa pela fala. 
O título do post é mais uma brincadeira com toda essa discussão que transcende a fala e cai em outros campos sociais, políticos, econômicos.... Mas uma coisa é certa: vamos RE pensar como falamos, como os outros ouvem e pensam que somos e principalmente: se vamos nos manter iguais ou mudar a fala para se adequar ao modelo. #ficaadica

*Imagem do Google