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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Uma guerra no escuro


Bastou apenas que as luzes em quase metade do país se apagassem em virtude de um blecaute, para que fossem reascendidas as luzes do preconceito. O blecaute que foi causado por um curto circuito numa subestação no Tocantins deixou todo o Nordeste e alguns estados da região Norte sem energia na madrugada desta sexta-feira (26).
A coisa não se passou dessa forma tão romântica. Por volta das 23 horas aqui em Maceió, meia noite pelo horário de Brasília, o Twitter anunciou o apagão para todo o Brasil e o Trending Topics virou uma trincheira.
A guerra? O preconceito contra a falta de conhecimento. Durante a madrugada as hastags #Apagão, #Nordestino, #NorteNordeste e #VivaoNordeste foram escudos e armas de uma disputa regional.
Hoje por volta das 13 horas enquanto escrevia este post, o Trends Maps dizia muito desse duelo. As Hastags #Apagão e Nordestino cobriam o mapa do Brasil sinalizando que a discussão ainda não tinha terminado.
A grande maioria dos tweets era xenofobia pura. A impressão era que o todo tinha se rebelado contra uma parte. Para se defender, esta parte, respondia. Mas era preconceito ferindo preconceito.
Você deve se perguntar: teve um apagão, mas e os Nordestinos, qual a culpa deles? Eu também não sei.
Essa não é a primeira vez que o Twitter vira palco para atos xenofóbicos como este. O mais lembrado com certeza será o da estudante  pernambucana Mayara Petruso. Aquela que liderou uma onda quase nazista contra nordestinos e que se deu mal e acabou indo a julgamento.
É difícil entender o motivo de tanta ira contra tudo e todos que vêm do Nordeste. Diferenças? Sim, o Nordeste como qualquer outro lugar do mundo tem suas peculiaridades, mas desde que foi taxado como 'Região Nordeste', lá pelos idos de 1910, sofre com essa imposição de 'padrão'.
Desde então a mídia, a política e nossa sociedade o colocaram numa posição de lugar pitoresco, envolto em  definições pouco palpáveis e que nem sempre expressam a nossa realidade.
# Preconceito deve ficar apenas na esfera teórica. Rede social deve ser usada com moderação e esse Buzz só surte efeito inverso: quem se queima é você.
Nos mais, usem o Google! Na falta do livro, nele dá para desbravar fronteiras, conhecer nosso pais e de quebra, tirar a venda para enxergar sua identidade nacional.


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Me Jane! E vc como fala?


Hoje me peguei pensando no quanto somos multi: cultural, social e linguístico. Olhe direitinho para cada estado e o sotaque de seu povo. Uma coisa é dita de forma diferente em cada região do país. Uma mistura que dá todo um tempero e singularidade que é difícil de se ver em outros povos.
O Nordeste em especial tem  variações linguísticas que às vezes beiram um realismo literário. Basta ter um dedinho de prosa com um nordestino para sentir e divagar com as expressões mais variadas possíveis:  desde um 'vôte' de espanto a uma 'mangação' da sua cara.
Nem preciso falar dos célebres escritores que descreveram nosso povo e disseminaram os novos verbetes mundo a fora.
Como vinha escrevendo no começo deste post, eu pensava sobre nossa mistura. Esses pensamentos começaram depois de assistir a uma matéria sobre termos genuinamente nordestinos. Até aí tudo bem, se não fosse a forma de trabalhar com o tema, como se fosse um dialeto impenetrável, que apenas com um tradutor do lado seria possível manter contato com uma pessoa do/no Nordeste.
Curiosamente, ou até já presumindo a justificativa, tenta-se impor um 'sotaque universal' dentro do Brasil, a fim de engolir os regionalismos, que dão a identidade a quem fala. Isso é dentro da comunicação, publicidade ou sociedade como um todo. 
Sou contra por vários motivos, principalmente por querer sufocar a identidade regional e por criar a sensação de que o nordestino (e todos os outros fora do eixo econômico ativo) não sabem falar, que a região parou no tempo e nunca será como o restante. 
Triste é saber que tão pouco se sabe do Brasil e que há inúmeras barreiras a se romper. A primeira delas começa pela fala. 
O título do post é mais uma brincadeira com toda essa discussão que transcende a fala e cai em outros campos sociais, políticos, econômicos.... Mas uma coisa é certa: vamos RE pensar como falamos, como os outros ouvem e pensam que somos e principalmente: se vamos nos manter iguais ou mudar a fala para se adequar ao modelo. #ficaadica

*Imagem do Google